sexta-feira, 21 de maio de 2010

Clamores - Parte I (ainda sem revisão)



Ele a observava de uma curta distância com os olhos cor de prata. Ligeiramente desajeitada a garota empurrava o sofá de um lado para o outro da sala.
O vento brincava com os cabelos vermelhos dele, imóvel sentado no peitoral da janela, atento aos movimentos da menina. Talvez tivesse medo que ela se machucasse.
Ele foi tirado de seus pensamentos por um perfume agridoce e conhecido. Sentiu uma sombra lhe tapando o sol e virou-se para contemplar o recém-chegado.
Era outro rapaz, que em pé tinha quase a sua altura, cabelos loiro escuros jogados para trás, altivo nas vestes pretas e com um brilho irônico nos olhos vermelhos.
- Todos vocês são voyeur?- o recém chegado perguntou, sorrindo de lado.
- Não mais do que vocês o são. Por que não se apresenta formalmente? Imagino que você seja o novo enviado.

O loiro riu levemente e cruzou o umbral da janela. Cravou os olhos rubros na menina e em seu esforço para mover o sofá.

- Ela não é tão bonita... mas até que tem algo. - só então voltou-se para o outro - Sou Arsiel, o Sol Negro. Sou seu novo companheiro de jornada. - Ele mostrou os dentes brancos, perfeitos, num sorriso debochado. - Você é Ariel, não é?

- Sim, Sou Ariel, o Leão de Deus.- o ruivo se ergueu, para olhar Arsiel nos olhos.- Ela é uma bela garota, mais bela na alma do que seus olhos podem ver.
- Que seja. - ele deu de ombros- Você não deveria fechar uns botões da sua camisa e tirar esses piercings todos? Sabe, ficar mais angelical?

Ariel tocou inconscientemente a orelha, deslizando os dedos pelos brincos de prata, parando no transversal. Não era a primeira vez que alguém reclamava das jóias.

- E no que isso te incomoda? - ele parecia levemente aborrecido - Sou um mensageiro, porque não posso vestir-me como me agrada?

- A mim pouco se me da. Mas imaginei que a vaidade era um pecado.

- A maioria das coisas podem ser pecado ou virtude, depende de como se faz. E se vamos conviver pelas próximas décadas, melhor não criarmos rusgas desnecessárias. eu não disse que você parece mais um desses garotos que brincam de vampiros do que um demônio...

- Queria o quê, serafim? Que eu usasse chifres e tridente, pra facilitar o seu trabalho? Não, obrigado. Se vai tentar faze-la ficar longe de mim, esforce-se.

Arsiel sorri maldoso, passando a mão pelos cabelos brilhantes. Parecia muito bonito sob a luz do sol, os olhos vermelhos brilhando maus e atraentes.

- Vou me esforçar. - Ariel retrucou, puxando a lapela de sua camisa branca, o movimento deixando parte do peitoral de pele muito clara a mostra.

- Vai seduzi-la? - o demônio virou-se abruptamente.

- Por que raios vocês não calam a boca?
A menina disse e tapou os ouvidos, com uma expressão irritada.
Arsiel abriu a boca, completamente surpreso. Parecia incrédulo que a humana tivesse reclamado do barulho dos dois... Humanos não ouvem demônios ou anjos, ao menos, não os humanos normais.

- Ela é medium?
- Mais ou menos. Mas faça silêncio, ela está incomodada.

Ariel pousou as mãos nos ombros da humana, que aparentemente não podia senti-lo.

- Ela não entende o que dizemos. Só escuta barulho e fica irritada.
- Que seja, você não me respondeu. Vai seduzi-la?
- Vou mantê-la a salvo da sua influência.

Os dois se encararam, olhos rubros e prateados, ambos determinados a não ceder.

- Isso veremos, anjo.
- Pode apostar, demônio.


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