A menina percorria a cerca dedilhando com a ponta dos dedos, pensamentos longinquos. As coisas não haviam dado certo, não importa quantas promessas houvessem em seu coração. Queria ter crescido, ter se tornado adulta, tal como seus irmãos fizeram. Ela tirou o boné e deixou os cabelos cor de mel se espalharem pelos ombros. Talvez tivesse até mesmo gostado de trocar as roupas de garoto, tão confortáveis para suas traquinagens, por roupas mais delicadas, que mostrassem suas curvas femininas.
Uma lágriminha muda rolou pelo rosto dela. Ela tinha medo de outras coisas antes, tinha medo de falhar, medo de perder o controle... mas agora o medo se foi.
Porque não há espaço para o medo quando não se há mais nada.
Sentou na guia da calçada, balançando as pernas, imaginando como é ser amada por alguém. Será tao bom quanto vencer um jogo de basquete? Ao menos tinha vencido muitos jogos de basquete.
Ficaria assim, pra sempre. Não tinha tido a chance de crescer, de encontrar seu destino, fosse qual fosse.
- Lyka! - sua mãe gritou. - entre, está na hora de dormir.
Ela foi, olhando pra trás, pro mundo que estava deixando.
- Droga, nesse mundo tantas promessas não são cumpridas. Eu fui só mais uma.
E ela entrou para se deitar, sabendo que não iria sair nunca mais.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Loba
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